O ministro da Fazenda, Guido Mantega,
disse nesta terça-feira (22), durante audiência pública na Comissão de
Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, que mudanças no câmbio, com
o dólar mais valorizado, eram necessárias para dar mais competitividade
à indústria brasileira.
“Mudanças no câmbio eram
necessárias. Vários paises vinham usando manipulação cambial para ter
mais competitividade, sobretudo na China, com medidas artificiais. Ganha
por causa da moeda, e não por conta da produtividade. Por mais de 20
anos, países da Ásia fizeram isso. Como eram pobres, até tolerávamos,
mas quando ganham escala mundial, com outros países, a gente tem de
reagir. A gente acredita que isso faz bem para a indústria brasileira”,
declarou o ministro.
Ele admitiu, porém, que as medidas
adotadas pelo governo para elevar a cotação do dólar têm algum “efeito
colateral”. “Como todo remédio, tem algum efeito colateral, mas voce não
deixa de tomar o remédio. Pode ter alguma empresa com dívida no
exterior e vai pagar mais caro. Outra consequência que pode haver é uma
pequena elevação da inflação, mas isso já foi medido. É muito pequena a
elevação da inflação pelo aumento do câmbio”, afirmou Mantega.
Por conta disso, acrescentou ele, é
“conveniente” trabalhar com a cotação do dólar mais elevada, visto que
esse fator torna as exportações mais baratas e as compras do exterior
mais caras. Por outro, porém, além de pressionar a inflação, torna as
viagens internacionais mais onerosas para os brasileiros. ”De janeiro
até agora, a valorização do dólar é de 20%. Ganhamos 20% de
competitividade. Você pode exportar mais, e o que vem de fora fica mais
caro”, declarou o ministro da Fazenda.
Medidas do governo
Em março, o Ministério da Fazenda anunciou a ampliação do prazo de incidência do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% para empréstimos buscados no exterior por empresas de dois para três anos. Posteriormente, o prazo de incidência do IOF majorado subiu para cinco anos.
O Banco Central, por sua vez, definiu em
março que os exportadores que desejarem receber antecipadamente por
suas vendas externas, nos chamados pagamentos antecipados (PA), deverão
enviar o produto ao exterior em até 360 dias – limitando, assim, estas
operações. Até o momento, não havia prazo formal para o envio.
Outros fatores que, teoricamente, também
contribuem para “aliviar” o ingresso de dólares no Brasil, e,
consequentemente, a pressão pela queda da cotação da moeda
norte-americana, são as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom)
sobre a taxa de juros. Recentemente, os juros básicos caíram, na sexta
redução consecutiva, para 9% ao ano – o menor patamar em dois anos e
perto da mínima histórica (8,75% ao ano).
Fonte: G1.com.br

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